
Marilene Felinto apareceu na literatura brasileira com o romance As Mulheres de Tijucopapo, que de cara ganhou o Jabuti. A trajetória desta pernambucana formada na USP, que teve de superar muitos preconceitos para ganhar seu espaço – em seus próprios termos, sempre (é uma treteira contumaz) – reflete-se em sua produção literária, em que questiona machismo, opressão, racismo e o velho complexo de viralata brasileiro com um tom irônico e muitas vezes amargo. Mas – sempre tendo o corpo como campo de batalha de seus textos – ela também abre espaço para o erotismo, o humor e a nostalgia, como neste belo conto “Procura-se Michael”, de seu novo livro Mulher Feita (Fósforo). de 2022.









PROPOSTA
Pois é isso mesmo o que você vai fazer: um retrato de um(a) velho(a) amante do passado.
Primeiro, o enredo começa com uma saudade. Segue-se uma recuperação do erotismo despertado pela figura do passado – lembranças, histórias, sensações, memórias ainda guardadas na pele. Nesta recuperação do personagem, você vai proceder a um verdadeiro retrato. Mas não tenha pressa: a memória vem em ondas, demora para chegar – a história vem de longe.
Segundo, a saudade vai despertar a velha pergunta: “Quem fim levou?” Essa indagação pede uma reflexão: deixar que os fatos sejam fatos naturalmente? Better let sleeping dogs die? Não mexer com quem está quieto? Ou dar uma segunda chance ao inesquecível? Quais os prós, os contras?
Terceiro, a busca coloca-se em marcha. Onde andará fulano ou beltrana? Há uma possibilidade de reencontro? Onde, quando, como? Fulano ou beltrana quer, não quer?
Quarto, o desfecho: rolou ou não rolou o reencontro?
Não economize nas descrições, nas sensações físicas, nas memórias e na tensão pré-reencontro (havendo ou não).
Outra coisa: você não precisa necessariamente contar nesta ordem – pode ir do quarto pro terceiro pro segundo pro primeiro, ou escrever de modo não-linear.
Escreva em qualquer pessoa – primeira, segunda ou terceira -, em até uns 9 mil toques.
