Puta madre igreja

Hilda Hilst não poderia faltar na nossa oficina obscena. Na virada dos 1980 pros 1990, cansada de ser menos lida do que merecia e irritada com a literatura comercial que infestava as livrarias, a escritora da Casa do Sol lançou a Trilogia Obscena, formada por Cartas de um Sedutor, Contos D’Escárnio / Textos Grotescos (de onde retirei o fragmento mais abaixo), e o escandaloso Caderninho Rosa de Lory Lamb, que finalmente a levou à fama. Logo a seguir está uma boa pensata de Eliane Robert Moraes sobre o que faz de um texto erótico ou pornô (ela não distingue as categorias) um grande texto literário. Obviamente, para dar vazão ao erotismo, HH foca no humor e nas brincadeiras com a linguagem. O narrador é Crasso, um aristocrata tão fino quanto grosso.

PROPOSTA

A ideia é juntar o Alto e o Baixo na mesma página, como fez a Velha Obscena.

Então você vai ambientar sua história em uma igreja. Ou em um templo, uma mesa-branca, uma mesquita, uma sinagoga, um terreiro, um ambiente de culto, de meditação… procure ser criativo. Pesquise para encontrar novas modalidades religiosas / espirituais. De repente até mesmo uma reunião dos Alcoólicos Anônimos pode ser interessante. Faça uma mínima descrição do ambiente, capriche em detalhes sutis mas necessários para a trama.

A trama é simples: um personagem tenta seduzir outro com o objetivo de libações nada católicas. Pode ser homem / mulher, mulher / mulher, homem / homem… você decide.

Enquanto você narra, vai descrevendo os ou as personagens.

Quais são os obstáculos para a sedução? Há mais pessoas neste ambiente? A cerimônia ajuda ou atrapalha no processo de sedução? O oficiante da cerimônia percebe o processo de sedução? Participa?

Desfecho: o/a sedutor/a e seduzido/a vão pro céu, purgatório ou paraíso? Viram alma-penada, são excomungados ou ficam no limbo?

Conte em qualquer pessoa, em até 9 mil toques.

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