
O meio beatnik era fundamentalmente misógino e gay – mas esse é um truísmo mais relacionado ao apagamento das escritoras que frequentavam os mesmos ambientes de Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs do que um fato objetivo. Prova disso é a presença de Diane di Prima. Desde 1958 ela já estava botando pra quebrar (On The Road havia sido lançado um ano antes) com seu livro de poemas The Kind of Bird Flies Backward. Ao se mudar para Manhattan aos 20 anos, transformou seu apartamento em uma república de encontros, uma verdadeira comuna beat onde entravam e saíam os artistas mais interessantes dos EUA. As lembranças muito esfumaçadas e bastante exageradas entre 1959 e 1967 estão no clássico Memórias de Uma Beatnik, um dos livros mais libidinosos já escritos por uma mulher nos EUA. Di Prima confessa que o escreveu para pagar dívidas a pedido de um editor que queria um livro de literatura erótica, então muitas das dezenas de cenas de sexo foram inventadas. Não importa: o livro é muito divertido e serve sim como testemunho daqueles anos loucos.











PROPOSTA
Esta é sua premissa: “Este é apenas o primeiro dos muitos apartamentos estranhos em que acordarei.”
Seu protagonista acorda em um apartamento estranho. Ele não consegue se lembrar de absolutamente nada sobre o dia anterior. Não faz ideia de quem é o apartamento, como foi parar lá. Como o apartamento está fechado, ele também não tem como sair. Não há indicações diretas sobre a noite de ontem nem sobre o dono ou a dona do apartamento. Fuja de obviedades como checar o celular ou redes sociais. Aproveite para descrever o ambiente enquanto investiga a personalidade do ocupante do apartamento através de móveis, objetos e decoração. Prolongue ao máximo a angústia de desconhecimento até que o dono ou a dona do apartamento chegue – ou, se não chegar, até que o protagonista de seu conto consiga achar um jeito de escapar dali. A não ser que ele resolva morar ali para sempre, sem saber de quem é o apartamento.
Escreva em qualquer pessoa, em até 9 mil toques.
