
Nascida em Buenos Aires, Naty Menstrual é uma escritora, atriz, artista visual e performer de 48 anos. Começou como locutora, radialista, depois começou a se montar e a se apresentar lendo seus poemas. Provocou escândalo ao adaptar, no teatro, autores do Século de Ouro espanhol ao mundo transexual. Depois de publicar os primeiros contos, foi comparada a Copi, Pedro Lemebel, Manuel Puig e até Bukowski. Sua escrita, muito direta e objetiva, vaga entre o deboche mais escrachado e a melancolia mais melodramática, o que faz com que seus personagens – a maioria travestis que ganha a vida na prostituição ou mulheres trans em choque com a sociedade heteronormativa – pareçam ter saído de filmes de Almodóvar. O uso de expressões típicas do underground portenho, do lunfardismo e de gírias gays foi traduzido para o bajubá – o idioleto gay brasileiro, repleto de termos do iorubá e do nagô – pela escritora campinense Amara Moira, em seu primeiro livro publicado no Brasil, Chuva Dourada Sobre Mim (Diadorim).






PROPOSTA
Calma, não se assuste, mas é isso o que vocês vão fazer. Vão contar uma história de amor a partir de um objeto deixado por um amante que se foi.
No conto de Menstrual, o objeto é a urina de Mauro, guardada em uma garrafa para a diversão da narradora. O líquido mágico, ao adentrar o corpo do novo amante da narradora, deu início a um processo de metampsicose.
Metampsicose é o “movimento cíclico por meio do qual um mesmo espírito, após a morte do antigo corpo em que habitava, retorna à existência material, animando sucessivamente a estrutura física de vegetais, animais ou seres humanos; reencarnação”. Há um conto famoso na história da literatura que trata do mesmo processo – “Metampsicose”, de Edgar Allan Poe.
Na verdade, eu acho que o conto de Menstrual ficaria ainda mais interessante se ela continuasse a história: será que o novo amante se transformaria de fato no antigo?
Fica a dica para você testar no seu texto.
Mas qual objeto seria este? Seria uma roupa? Um item carregado de significação (relógio, livro, chapéu, caderno)? Um móvel? Um objeto de decoração? Ou um ser vivo?
Ou seria uma parte do corpo? Um vestígio, um resquício, um resto do corpo do amante que se foi?
Será que, como no conto de Mestrual, esse objeto que era do velho amante pode ser incorporada por um novo amante?
Ou seja, a sua história pode tanto voltar-se para o passado (o antigo amante) como para o futuro (o novo amante), ambos interligados por este tal objeto.
Descreva o protagonista, o objeto, o velho e o novo amantes, e esta situação insólita que liga a todos, através de cenas, em qualquer pessoa, em até 9 mil toques.
