– Podemos terminar assim? – indaga a Primeira Voz, grave, vinda de um canto da caverna.
– Não gosto – retruca uma Segunda Voz, aguda, do canto oposto – A travesti e o rapaz negro detidos, o casal branco livre…
– Mas eles estão prestes a serem pegos – devolve uma Terceira voz, sussurrante, de alguma outra posição – Nus, ainda zonzos de prazer. Há uma série de encadeamentos que me interessam num final assim: ocultos e descobertos, a detenção em suspenso, o sagrado e profano em colisão e o gozo resolutivo seguido de uma expectativa quebrada ao meio.
– Além disso, o casal não é branco – complementa uma Quarta Voz, infantil, vinda como que do chão – A garota é morena, não? Cabocla. O Ruas é que tem a barriga branca, diz-se isso o tempo inteiro.
A cada vez que as Vozes falam, as chamas da fogueira tremem dentro da caverna, mas não o suficiente para revelar os corpos às quais pertencem. Cercado por um anel de fogo, com a bermuda nos joelhos e o pau meia bomba para fora, Ruas move a cabeça de um lado para o outro na tentativa inútil de entender de onde vem cada fração do diálogo. Aos seus pés, Lua Madeira parece o fruto de uma pesca ilegal: deitada, os braços seguram as pernas marcadas pelo trançado da meia calça arrastão que sobe até a cintura, a bunda e os lábios da buceta também trançados, escapando por um rasgo que se expande ao menor movimento.
– Tu que fez isso? – pergunta Ruas, quase desabando no chão ao sincronizar o movimento de subir a bermuda e dobrar os joelhos para ficar na altura de Lua Madeira.
– Sim e não – ela responde, o que não quer dizer muita coisa.
O próprio Ruas tem dificuldade de seguir a ordem dos acontecimentos. Lembra de estar comendo Lua Madeira na Capela do Pobre Diabo, das estocadas deliciosas em seu cuzinho apertado, das luzes da viatura disfarçadas pelo vermelho fresco na parede do altar e dos policiais, que já haviam detido a outra metade do Coletivo Amargo, prestes a encontrá-los. Lembra também de Lua Madeira se descolar da cópula rápida como uma mosca e, num movimento que lembrava a ele o estender de um lençol sobre a cama, girar seus braços sobre os dois, cobrindo-os, talvez, com uma capa de invisibilidade, ou assim parecia.
– E onde a gente tá exatamente? – ele pergunta, fechando o zíper.
– Na minha Caverna Primordial – responde Lua Madeira.
– Mas se acabar assim… – pondera a Primeira Voz, a dúvida registrada nos ecos da igreja como se tivesse reticências
– E eles? – pergunta Ruas, apontando para todas as direções do nada, de onde as vozes vêm.
– Esses aí são novidade – responde Lua Madeira, puxando Ruas para perto de si.
Ele deita a contragosto, seu corpo grande transmitindo ondas de tensão que só ela via subir como fumaça. Ruas então puxa o pé direito de Lua Madeira para perto de seu pé esquerdo, num movimento que tem algo de autômato e algo de carinhoso. A dúvida entre um e outro a atrai e repele em igual medida. Quer esmurrá-lo, jogá-lo no fogo. Ficar ali para sempre.
– Certo, certo. E agora, o que a gente faz? – pergunta Ruas, como se a posição adotada demarcasse o início de um grande plano.
– Nada.
– Eu gostaria que a narrativa saísse desse círculo vicioso de casal cis hétero entre vinte e quarenta anos, essa coisa repetitiva! – o incômodo da Segunda Voz é nítido por conta de como as chamas tremem ao redor de Lua Madeira e Ruas, que desvia dos braços do fogo, assustado – Há todo um potencial nessas margens, por que não deslocar a história para lá? A travesti e o rapaz negro…
– Como assim, nada? – retruca Ruas.
– A gente pode transar de novo. Quer?
– Agora?
– Não tenho nada contra – insiste Lua Madeira, fechando os olhos e abrindo um sorrisinho safado nada convincente – Posso pelo menos roçar meu grelo na tua barriga?
– Eles têm nome, sabia? – relembra a Terceira Voz – A Sorria e o Mutirão. Como você fala, parece que o fato de eles serem minorias se sobrepõe a tudo! Não que isso não demarque especificidades, mas o desenrolar da ação precisa…
– Tu quer mesmo transar ouvindo isso? – retruca Ruas, levantando-se bruscamente.
– E tem mais – continuou a Terceira Voz – o Mutirão é afro ribeirinho e o Ruas talvez não seja hétero. E no final das contas: o quanto vamos permitir que isso se sobreponha à narrativa? Vamos incorrer no potencial de determinismo sob o risco de nos tornarmos previsíveis e desnecessários?
– Jamais, jamais! – repetem as demais vozes em uníssono – Nossa função é sermos imprevisíveis!
– E incompreensíveis, acima de tudo – complementa a Terceira Voz.
Lua Madeira não tenta puxar Ruas de volta para o chão. Deixa-o como está, em pé, descabelado, calculando como atravessar as chamas em um pulo, o que lhe parece impossível. Um de seus cadarços está desamarrado e é o suficiente para ele parecer a pessoa mais idiota do mundo. Seria tão fácil empurrá-lo no fogo, destituí-lo de qualquer espaço na sua Caverna Primordial, desfeito na escuridão. Mas por causa daqueles cadarços, ela simplesmente não consegue.
E assim as vozes continuam o debate. A caverna parece um pulmão que se comprime e expande ao movimento iluminado. Ruas amarra os cadarços, cansa e senta, permitindo que Lua Madeira se aninhe entre suas pernas longas e pálidas, a bunda forçando-o a abrir-se mais para recebê-la ali.
– Escuta…– ela começa, passando os dedos da mão direita lentamente no fogo, sem se queimar, e a mão direta nos cabelos dele – Final, meio, começo, é tudo a mesma coisa. Eles que decidem. Deixa eles fazerem o trabalho deles.
– Talvez nem eles sejam o mais importante aqui – retoma a Primeira Voz.
– Ah, pronto! – revida a Segunda Voz – Se for para esvaziar tudo dos recortes de raça, classe e gênero, então é melhor nem…
– Chega! – irrompe a Quarta Voz, as chamas subindo tanto que a caverna toda vira um clarão, contra o qual Lua Madeira tenta proteger Ruas com as mãos espalmadas sobre ele – O que vai acontecer é o seguinte:
Conta a Quarta Voz:
As luzes se direcionam à entrada do palco, que nada mais é que uma lona em xadrez preto e branco muito bem afixada no chão da Capela do Pobre Diabo. ET El Vynah, flutuando a meio metro do chão, comanda o mini baile. Sua longa túnica azul emana uma luz própria, dando a ela a aparência de fogo fátuo. O estrobo revela as caras e bocas multicoloridas do público, que se organiza, apertado, no entorno. Dentre eles, há figuras conhecidas: policiais, o governador do Estado, a indígena que segurava uma granada na empena, além de alguns Josés mortos-vivos. Sobre eles, um letreiro coberto de glitter vermelho, acima do altar: Baile do Juízo Final.
A primeira categoria é cura pelas mãos, anuncia Et El Vynah. Mutirão entra no palco em vestes negras, um quipá e tefilin. Ele caminha até o final da lona xadrez, performando uma masculinidade rígida que solta suspiros das afeminadas na plateia e elogios discretos dos policiais, que fazem ver suas tatuagens de Estrela de David no muque. É quando o Amargo dá uma pirueta, surpreendendo a todos com a transfiguração do terno negro em outro, branco e vermelho.
Dedos estalam num frenesi de aplausos viados, enquanto batidas de leques ressoam até o infinito, sobrepujando os gritos de desgosto dos gambés. Mutirão dirige-se a eles, segura o quipá com a ponta dos dedos e, como que os cumprimentando, retira o acessório da cabeça e revela, em seu lugar, um chapéu nas cores do terno. Já o tefilin se desenrola do braço e vai se solidificando numa bengala.
A luz desloca-se para as juradas, que percebemos ser Sorria, Arcana, Demi e Silvina. Elas deliberam sobre qual nota dar a Mutirão, que opta por uma última pirueta, transformando o terno branco e vermelho em um amontoado de pedrinhas a seus pés. O tronco do jovem se revela, repleto de grafismos indígenas em jenipapo e cicatrizes de cortes. A calça branca agora é uma bermuda de tactel desbotada, e nas mãos ele tem nada menos que um terçado. Na sua forma final de Caboclo Galeroso do Apocalipse, Mutirão decepa a cabeça dos policiais da plateia, dando um banho de sangue nas juradas, que enfim levantam as placas com suas notas: 10, 10, 10, 10. É hora da próxima categoria.
– É uma solução satisfatória? – pergunta a Quarta Voz às demais.
Ruas olha para a escuridão da Caverna Primordial com as pupilas dilatadas ao máximo, posto que as chamas agora são tão fracas e calmas que ele mal precisaria levantar os pés para sair do anel de fogo. Lua Madeira pressente essa intenção e o segura pela cintura, ignorando a presença de Mutirão junto a eles. Ainda de terçado em punho, o rapaz aproveita a vista da prima seminua, vestida apenas com a maia arrastão rasgada.
– Pois bem – diz a Segunda Voz, impedindo que o fogo se torne brasa fria.
Interlúdio da Segunda Voz
Explicamos a dinâmica e atingimos um ápice inesperado com a performance do Caboclo Galeroso do Apocalipse. Agora precisamos de algo intermediário. Para isso ET El Vynah decretará: a categoria é… Personalidade, não criatividade! Pode um homem branco oferecer pelo menos isso a este público? Vamos descobrir! Ruas, o palco é seu!
E o que Ruas fará é o seguinte: ele caminhará até o centro da capela, vestido de Homem-Aranha e segurando uma caixa de sapatos surrada. Ele abrirá a caixa e tirará dela uma lata de tinta, e depois outra, e mais outra, e outra ainda. Tirará pincéis, rolos de tipos diversos, uma edição em espanhol do Principia Discórdia, extensores, lonas de plástico, espátulas, desempenadeiras, uma sacola do Carrefour com fezes humanas, lixas, um cavalo e um boi, uma luminária pendular, bandejas, sprays e um avental. Ele então usará suas teias do Aranha, reflexos sobre-humanos e outros poderes para se mover por toda a capela, por cima e por baixo, num balé de acrobacias que, com velocidade impressionante, revelará uma total transformação do espaço.
A meia luz colorida do estrobo se congela, dura e fria. A capela se tornou preta e branca, desfigurando-se em ângulos retos e distorcidos. O público, também imóvel, está agora pintado de preto e branco, incluindo os policiais decapitados, o cavalo e o boi. Os únicos pontos de cor estão no centro da capela, onde jazem as fezes e, sobre elas, o Principia Discordia aberto numa página onde se lê:
O HINO DE BATALHA DA ÉRISTOCRACIA, por Ibrahim Cesar
VERSO
Meu cérebro medita nos ciclos do CAO
E é como sentar-se bem na mesa onde os Chefões
Se reúnem para debater onde jogar a bomba!
Nossa Maçã Dourada é a onda!
CORO
Grande (e gloriosa) velha Discórdja!
Grande (e gloriosa) velha Discórdja!
Grande (e gloriosa) velha Discórdja!
Nossa Maçã Dourada é a onda!
VERSO
Ela não foi convidada para a festa deles no Olimpo,
Então jogou uma Maçã Dourada com intrigante inscrição
Criando a mais lendária confusão!
Nossa Maçã Dourada é a onda!
A única jurada que não ficou congelada no quadro é Sorria. Porém, ela também está em preto e branco, e tenta tirar de suas roupas a espessa camada das tintas como se sacudisse pó de um tapete.
– Égua, que esse bicho é muito cavalo! – berra Sorria, tocando na peruca e constatando que ela já era – Precisava dessa ignorância toda?
– Ela disse “Personalidade, não criatividade”! – responde Ruas, apontando para ET El Vynah, que agora tem a aparência de uma bola de tinta branca flutuando ao canto da capela.
Ele abre a caixa de sapatos e começa a tirar dela materiais de limpeza: panos, thinner, água, baldes, sabão, sabonetinhos da Granado. Entrega alguns itens a Sorria. A dupla então inicia a limpeza de ET El Vynah com cuidado, começando pelas pernas e braços, cabelos e unhas dos pés. Aos poucos, sua luz de fogo-fátuo reaparece e seus movimentos vão sendo liberados da intervenção. Os demais não têm a mesma sorte.
– A nota – murmura ET El Vynah.
– O que, mamãe? – pergunta Sorria.
– Qual a nota dele? – completa a matriarca.
– Ai, um sete, né?
– Agora é minha vez, minha vez! – pede a Primeira Voz.
Desintegração Express:
Para Lua Madeira, o mais importante é ir até o fim. Só que para ela, final, meio, começo, é tudo a mesma coisa. Percebe a contradição?
– Vamo ver se é mesmo tudo a mesma coisa então nessa buceta – provoca Lua Madeira.
Ruas, Sorria, Mutirão, o público petrificado, todos desapareceram. Também não há mais palco, nem luzes, nem capela, nem Caverna Primordial. Apenas o espaço sideral para onde converge a suave luz de ET El Vynah, que com a ponta do indicador reacende o anel de fogo ao redor de Lua Madeira com uma chama azul.
– A categoria é: Desintegração Express – decreta.
Lua Madeira, usando nada além de um enorme laço de veludo azul segurando metade dos cabelos no topo da cabeça, puxa a ponta da fita devagarzinho. Ela gira como uma bailarina confinada a uma caixa de música, e com a fita cai também toda a sua pele, as pétalas de um presente de Natal. No lugar de carne viva, músculos e ossos, o que surge é outra Lua Madeira, e mais outra, e mais outra, uma sucessão de embalagens de si mesma.
Cada versão de Lua Madeira, incapaz de se mover de outra forma, puxa o laço de veludo azul seguinte do mesmo jeito. Suas embalagens acumulam-se ao seu redor, constituindo um inesperado lixo espacial, e cada uma delas é permeada por uma sensação: tristeza, alegria, desejo, desprezo, calma, raiva, ódio… E em cada Lua Madeira corre o veneno desse pico, uma receita de um ingrediente só cujo sabor é estranhamente confortável, tudo preto no branco, como na Guernica de Ruas. É estranho a ela constatar que tudo estava ali o tempo inteiro, mesclado em camadas que pouco ou nada pareciam com o que ela achava ser ou parecer.
Então chegou a camada que Lua Madeira mais temia. Chegou a vez do amor. Foi só aí que ela conseguiu conter o impulso de deixar suas embalagens caírem. Imobilizada por sua luta interna, ela apenas aguardou ser tomada como um cavalo Megazord, e assim ficou por muitos anos, centenas deles. Mas nada aconteceu. Ela estava absolutamente sozinha, sem seus espíritos, visões e camadas anteriores, como uma receita de bolo gravada no VHS rolando num videocassete que travou no meio do Rewind, apenas as longínquas supernovas estourando num silêncio desanimador. Depois de cerca de oitocentos anos, Lua Madeira enfim suspirou.
– O que te parece? – perguntou ET El Vynah.
– A vida sem amor é um tédio do caralho – respondeu Lua Madeira.
ET El Vynah deu de ombros.
– É uma forma de ver as coisas.
– Acho que é a minha vez de jogar as tartarugas na piscina.
E foi assim que Lua Madeira puxou o laço de veludo azul do amor. Ao invés de uma nova versão de si, surgiu do topo de sua cabeça um torso grande demais, que aos poucos tomou sua cabeça inteira. Brotaram dele braços e dedos e lábios e unhas, e quando ela menos percebeu, havia um corpo inteiro anexo ao seu corpo. Lua Madeira tentou se espremer num canto antes que o corpo a regurgitasse, mas não há cantos no espaço. Ela então aceitou o inevitável: iria implodir como uma supernova enquanto o videocassete reacionava o Rewind.
– E agora, o final – pontua a Terceira Voz.
E agora, o final:
São dez e quinze da manhã. É um dezembro de chuvas abundantes, por isso o frescor incomum no ar da manhã, que intensifica o cheiro de asfalto novo. Batidas na porta, ininterruptas, distorcem o canto dos passarinhos e as risadas das crianças que brincam nas redondezas. Lua Madeira, muito sonolenta, abre o trinco e espia o visitante inesperado, que escancara a porta. É Ruas.
Ele a toma num abraço pegajoso, com cheiro de tinta. O abraço não termina nunca e faz o pescoço de Lua Madeira doer, por conta da diferença de altura entre os dois. Encabulada, ela busca algum alívio, espichando-se. É quando vê Sorria e Mutirão no segundo plano dos ombros de Ruas, sentados no interior da picape. O sono e o estranho calor do abraço, não pelo toque, mas pelo gesto, deixam-na tonta, e demora alguns segundos até que Lua Madeira perceba que tem algo de errado com o Lírio do Vale. Muito errado.
A rua onde mora, a Ubaira, não apenas tem asfalto novo, mas também foi alargada. Calçadas amplas seguem o trajeto a perder de vista. As casas, incluindo o conjunto de quitinetes onde vive, estão devidamente pintadas em cores diversas que, no entanto, complementam-se, numa unidade visual perturbadora. Tão aterrador quanto é constatar que as crianças que brincam nas ruas estão todas calçadas e as que andam de bicicleta todas têm capacetes, joelheiras e demais equipamentos de segurança. Um cachorro avança entre elas, soltou-se da guia. É um labrador, e o dono logo aparece, rindo com os pequenos dos gracejos do animal. Mais adiante, o grupinho de adolescentes não vende droga e nem aguarda alguém para assaltar. Eles apenas esperam o ônibus, que passa em questão de segundos. Um ônibus novo, com ar-condicionado. Os garotos saúdam o motorista, que acena a eles e lança um sorriso, e assim seguem viagem. O bairro está do avesso.
– Puta que pariu! – grita Lua Madeira, afundando o rosto no peito de Ruas, assustada demais para voltar os olhos para sua comunidade reconfigurada.
– E não é só aqui – fala Mutirão, tirando o boné como quem dá condolências – Eles esculhambaram a cidade inteira.
Lágrimas gordas caem dos olhos de Lua Madeira. Lágrimas de gente, não de cavalo, ela pensa, e não sabe o que fazer com isso. Por isso deixa Ruas levá-la para a picape, a mão dele na dela, uma entrega de outra forma, mais assustadora que se deixar tomar por vozes e garrafadas. Ruas tira a cobertura da carroceria na traseira do veículo, revelando uma profusão de explosivos, tantos que mal há espaço para qualquer outra coisa. Delmo, no entanto, acomodou-se entre elas, quieto e alerta.– Vem – diz Ruas, enxugando suas lágrimas e carregando-a para a carroceria, subindo em seguida. Ele se espreme ao lado de Lua Madeira, passando um dos braços por seu ombro e, com o outro, batendo na lateral do veículo, ordenando a partida. Delmo se enrosca entre as pernas dos dois, e Ruas o acarinha, para espanto de Lua Madeira, que se transforma num sorriso gigante – Vamo mostrar pro David Cronenberg como é que se faz.
