A mesma é a outra

Rebecca Kuang, ou RF Kuang, como ela assina, é um assombro. Com apenas 27 anos, venceu ou foi indicada aos principais prêmios de ficção científica e fantasia por seus best-sellers A Guerra da Papoula e Babel Ou A Necessidade de Violência. Estadunidense de família chinesa dissidente política do PC, emigrada aos 4 anos de idade, ela é tradutora do mandarim e um fenômeno no TikTok, onde tem 40 milhões de seguidores. Poderia ter ficado confortável como a nova dama da literatura da fantasia, mas preferiu dar uma guinada escrevendo ficção literária e de novo ganhou prêmios como o British Book Award – que já havia faturado ano passado por Babel – com Yellowface, aqui traduzido para Impostora (Intrínseca).

Apesar de ser um virapágina com todos os truques do storytelling, é muito bem escrito, charmoso, irônico e revela com acidez as nuances do mercado literário – um mundo que Kuang domina totalmente. Conta a história de Athena, uma sino-americana inspirada nela própria: uma escritora best-seller de fama internacional, linda, milionária e gente boa. Só que a protagonista do romance é sua melhor amiga, a escritora loser June Hayward, branca, pobre e que morre de inveja de Athena. Por um lance de sorte, June toma o lugar de Athena. Então Kuang aproveita para brincar de yellowface – prática racista similar ao blackface, quando um branco se faz passar por um asiático – e denunciar com humor muito mordaz o colonialismo, a apropriação cultural e o racismo que os orientais sofrem na mão de ingleses e estadunidenses.

PROPOSTA

A premissa é: seu protagonista vai tomar o lugar de outra pessoa.

Como ele faz isso? Quem ele é? Quem é a outra pessoa que ele finge ser?

Qual o seu objetivo ao tomar o lugar de outra pessoa?

O que exatamente ele rouba de outra pessoa? A identidade? O rosto? O comportamento? A vida?

As outras pessoas acreditam no impostor? Ele engana direitinho os bobos, na casca do ovo?

Você pode contar sua história usando duas cenas: antes e depois de seu protagonista começar a fingir ser outro.

Você pode encerrar sua história de 3 maneiras:

A) Ele é descoberto;

B) Ele consegue se passar por outra pessoa, e se sente um vencedor;

C) Ele consegue se passar por outra pessoa, mas tem saudade de quem ele era antes.

Conte em qualquer pessoa, em até 9 mil toques.

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