Você é outro

Nos contos de No Seu Pescoço (Cia das Letras), Chimamanda Ngozi Adichie muitas vezes usa da segunda pessoa para conseguir enxergar-se como uma pessoa alheia – e também causar no leitor a sensação de que ele está vivenciando esta alteridade. É o que se dá com o conto-título, em que a nigeriana, hoje uma das maiores escritores da língua inglesa, narra suas desventuras no momento em que emigra para os EUA.

PROPOSTA

Então é isso mesmo o que você vai fazer. Vai escrever na segunda pessoa uma narrativa em que seu protagonista está adentrando um território novo, estranho e muitas vezes hostil.

Você pode, se quiser, usar alguma experiência própria para passar essa sensação de ser um peixe fora dágua. Situações como uma nova escola, uma nova cidade, uma nova família, um novo círculo social, uma nova língua, um novo emprego, um novo amor, uma nova atividade, uma nova comunidade.

Ou então você pode simplesmente apelar à literatura de invenção e fabular uma narrativa em que seu personagem esteja emigrando para um território totalmente esquisito. Por exemplo, um outro corpo, um outro ser, um outro gênero, um outro planeta, um outro tempo.

A ideia é que você tanto exponha as vulnerabilidades, fragilidades e desconfortos do seu protagonista quanto as violências, as diferenças, as dificuldades de comunicação e de comportamento das pessoas deste novo lugar.

No fim, o seu protagonista continua neste novo espaço, a) integrado, ou b) mais ou menos integrado, ou c) excluído, ou então resolve simplesmente d) sair dali e voltar para de onde saiu?

Em até 9 mil toques.

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