Amor na força do ódio

Virginie Despentes é uma prosadora, cineasta, compositora, cantora e filósofa punk francesa. Uma das principais feministas contemporâneas, é autora da Teoria King Kong (n-1), ensaio autoficcional em que narra com crueza sua experiência como crítica de filmes pornôs e prostituta. Ganhou fama mundial com a trilogia A Vida de Vernon Subutex (só saiu aqui o primeiro, pela Cia das Letras), em que narra a hilária trajetória de um hipster que virou mendigo. A trilogia virou série de TV (dá pra ver no Prime). Este ano saiu no Brasil um outro volume inventivo, Querido Babaca (Fósforo), um romance epistolar na onda de Ligações Perigosas. Um jovem escritor obscuro, Oscar Jayack, posta um comentário maldoso sobre Rebecca Latte, uma estrela de cinema 10 anos mais velha que ele. Jayack acabou de receber uma acusção de assédio sexual e seu mundo está desmoronando. Chutando cachorro morto, Rebecca resolve responder a Oscar, ofendendo-o, e os dois começam a trocar uma série de emails em que aos poucos vão revelando seus preconceitos e ódios mútuos e ao mesmo tempo descobrindo que têm mais coisas em comum do que gostariam – o livro termina em uma agridoce amizade.

PROPOSTA

Esta é a ideia: uma troca de cartas entre duas pessoas que se detestam.

Mas atenção, não é preciso ser cartas. Podem ser mensagens de whatsapp (desde que escritas), chats de Instagram, comentários em posts de alguma rede social, trocas de e-mails e outros tipos de mensagens eletrônicas.

Inclusive as mensagens podem ser públicas ou privadas, você decide.

Importante: escreva somente as mensagens. Tudo o que tiver de ser narrado precisa estar lá dentro.

Comece imaginando dois personagens muito diferentes.

O que vai catalisar o ressentimento e o rancor que já existia antes entre essas duas pessoas pode ser um comentário inconveniente de uma delas em alguma rede social, alguma coisa que aconteceu na vida real, uma ofensa inconsequente ou algum mal-entendido.

Durante a escalada de ofensas, cada um dos personagens vai revelando o que sabe da vida do outro, vai contando coisas que aconteceram em sua vida e ao mesmo tempo vai revelando fragilidades, vacilos e idiossincrasias.

O conceito da história deveria partir dessa irritação inicial, pontos de conflito de parte a parte, até que a troca de gentilezas evolua na direção de uma real troca de gentilezas – uma amizade. Ou quase isso.

Use todo o seu cinismo e seu sarcasmo, trabalhe preconceitos e opiniões fortes, e descreva cenas e comportamentos pouco elogiáveis de cada um deles.

Escreva, claro, na primeira/segunda pessoas, em até 9 mil toques.

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