
Andrea del Fuego, 49, escritora e mestre em filosofia pela USP, publicou pela primeira vez em 2004 o livro de microcontos Minto Enquanto Posso, seguido de outros dois livros de microcontos, Engano Seu e Nego Tudo. De lá para cá, foram muitos livros de contos, infantojuvenis e romances. A obra Os Malaquias (Língua Geral, 2010), inspirado livremente em sua família mineira, ganhou o Prêmio Saramago de literatura. Em 2021, publicou pela Companhia das Letras o aclamado romance A Pediatra, publicado em diversas línguas. Uma particularidade de Del Fuego é o chamado “mote juste”, a busca pela expressão precisa, sofisticada e sonora, resquício de sua carreira no jornalismo. Outra marca sua é o humor mordaz, irônico e às vezes meio nonsense, o que cai bem com o registro de suas histórias, que se aproximam do realismo fantástico ou mágico ou meio absurdista.





Folie à deux, também conhecida como transtorno delirante induzido, é uma síndrome rara que se caracteriza pelo compartilhamento de sintomas psicóticos entre duas ou mais pessoas:
O indivíduo que transfere os delírios é chamado de psicótico primário O indivíduo que recebe os delírios é chamado de secundário Os delírios persecutórios são os mais comuns nesse transtorno. O indivíduo secundário, na maioria dos casos, não sofre de nenhum tipo de transtorno psicótico, mas apresenta sintomas apenas quando está em contato com o indivíduo primário.
O tratamento da folie à deux pode envolver o afastamento das pessoas envolvidas, acompanhamento psicoterápico, terapia organizacional e medicação. É também o nome de um péssimo filme, continuação do bem-sucedido Joker.
PROPOSTA
Pois é isso o que você vai fazer: uma história de folie à deux.
Ou será que você vai fazer: uma história de irmãos gêmeos?
Bem, isso é você quem vai escolher.
O que importa é que há dois personagens, muito parecidos, mas nem tanto. Sutis diferenças os afastam. Mas são em quase tudo semelhantes. Trabalhe essas nuances.
Um dos personagens, porém, tem uma obsessão, uma mania, um fetiche, uma paranoia, uma fixação, um sintoma, uma idiosincrassia… que acaba passando para o outro personagem.
O segundo personagem, que era quase normal, acaba sendo contaminado pela doideira do primeiro personagem.
A coisa vai escalando, e a coisa não cheira nada bem.
Até que dá bem ruim.
E ai, os personagens continuarão juntos em sua loucura, ou vão se separar?
Escreva na terceira pessoa, em até 9 mil toques.
