
A premiada escritora chilena Alia Trabucco Zerán, 44, é especialista em escrever sobre crimes cometidos por mulheres. Em Homicidas, uma investigação em não-ficção, ela perfila assassinas que, acossadas por abusos, crimes ou outras violências, não tiveram outra saída que fazer justiça com as próprias mãos. É talvez o caso de Estela, protagonista do romance Limpa (Fósfofo, trad. Silvia Massamimini Felix). Contratada como empregada doméstica e babá em uma casa de classe média alta, ela se vê envolvida na morte de uma menina de seis anos. O livro começa com Estela sendo interrogada em uma delegacia. Ao narrar sua própria história, Estela acaba por descobrir sua própria identidade social – ainda que a um alto custo.














PROPOSTA
Pois é isso mesmo o que você vai fazer: vai confessar um crime.
Mas calma, não precisa ser necessariamente um crime hediondo. Pode ser, claro, se quiser, um assassinato. Mas pode ser um roubo. Uma traição. Um furto. Uma contravenção. Uma burla. Uma mentira. Um pequeno pecadilho que acabou tomando proporções imprevisíveis.
Para quem você confessa? Um detetive, sua mulher, seus pais, seus filhos, seus amigos, seus colegas de trabalho?
Enquanto vai confessando o crime, o leitor vai tomando contato com quem você é, o que faz, o que gosta, o que detesta, como vive, como sonha, o que deseja. Sua personalidade, enfim.
Procure manter a tensão da revelação de seu malfeito até o final.
E claro, não precisa ser você necessariamente – pode ser alguém que você conhece, ou alguém que você inventou.
Escreva na primeira / segunda pessoa (a escrita é dirigida a alguém específico), em até uns 11 mil toques.
