A casa é sua

Sara Mesa é uma escritora espanhola de 48 anos especializada em relações emocionais familiares. Além deste A Família (trad. Silvia Massamini Felix, Autêntica), tem também publicado no Brasil Um Amor. Neste livro foca os segredos de uma família formada por um pai autoritário, uma mãe submissa e seus quatro filhos: discretas perversidades, diferenças suprimidas e frustrações disfarçadas nas relações entre eles são os ingredientes desta história, aparentemente serena, que é a contundente radiografia de uma família – suas feridas adormecidas, vulnerabilidades, contrações e fraquezas. Em capítulos breves e quase independentes, alternando presente e passado, esta família se revela aos poucos, em suas brechas, códigos clandestinos, fingimentos e mentiras, por meio de personagens que alternam autoritarianismo, obediência, vergonha e silêncio. A autora se alimenta de ambiguidade e estranhezas humanas. A linguagem opera como ferramenta de controle. Enquanto passamos por entre os cômodos desta casa, fica difícil resistir a olhar para baixo dos tapetes, através das fendas abertas das portas, em direção ao que não parece conveniente.

PROPOSTA

A ideia é você usar justamente o mote do primeiro capítulo do livro e descrever um lar.

Como vai fazer isso? Uma pessoa entra sozinha em uma casa? Um corretor de imóveis a apresenta? Alguém da família? Um amigo, um vizinho, um amante?

Descreva objetivamente todos os cômodos, com detalhes que vão formando a personalidade daquele lar, daquele ambiente, das pessoas que imprimiram suas personalidades sobre aqueles objetos, móveis, paredes.

Você pode ir simplesmente descrevendo tudo o que aparece até que, ao fim, levará o leitor para encontrar um objeto peculiar, estranho, fascinante, misterioso, que de algum modo sintetiza a essência daquele lugar, e o torna ainda mais misterioso e intrigante.

Se você está produzindo uma narrativa mais longa, pode usar este exercício como mote para criar um capítulo em que ambiente sua futura narrativa.

Ou então pode fazer o leitor se fascinar por um lugar, até que um mistério surja.

Narre em qualquer pessoa, em até 10 mil toques.

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