Lendas urbanas

Monica Ojeda, equatoriana de Guayaquil, 37 anos, faz parte da nova geração de autoras latino-americanas que a crítica literária convenciona colocar sob o guardachuvão da argentina Silvina Ocampo. Temas próprios à identidade feminina – como o despertar da sexualidade, a maternidade e a vivência doméstica forçada pelo machismo – são abordados, como em Ocampo, pela chave do fantástico. Ojeda teria como companheiras de geração nomes como Mariana Enríquez, Samanta Schweblin, Camila Sosa Villada, María Fernanda Ampuero e as brasileiras Irka Barrios e Socorro Acioli. O diferencial de Ojeda é que ela costuma retomar mitos andinos e personagens tradicionais de lendas equatorianas e mesclá-los a narrativas urbanas, contemporâneas. Em seu primeiro livro, Voladoras (Autêntica, trad. Silvia Massamini Felix), figuras femininas fantasmagóricas e seres fabulosos surgem em contos que tratam de violência, sofrimento psíquico, morte, amizade e, claro, sexualidade, como se pode ler no conto-título – em que o adolescer da narradora é observado de perto por uma bruxa bem bizarra.

PROPOSTA

Seguindo nossa trilha pelo fantástico, a ideia aqui é brincar nessa encruzilhada: pegar um ser mitológico e colocá-lo em um contexto urbano.

Qual ser mitológico? Saci, Cuca, Mula Sem Cabeça e outros não valem… Monteiro Lobato e a série Cidade Invisível já fizeram isso. Dê uma pesquisada na mitologia brasileira, lembre das histórias que sua vó contou… Se preferir, pode pegar uma lenda urbana, tipo Homem do Saco, Loira do Banheiro, Perna Cabeluda, Bebê-Diabo ou Gangue do Palhaço da Kombi. Ou então investigar alguma lenda urbana pouco conhecida, do seu tempo de infância.

Como fazer o cruzamento entre tempo mítico e tempo cronológico? Creio que a sexualidade pode ser um eixo interessante. Buscar marcos de passagem: socialização infantil, adolescência, idade adulta, meia idade, meno/andropausa, velhice.

Note que em “Voladoras” desde o início está exposta a crise da passagem: “Baixar a voz? Por que eu deveria fazer isso?”. Termina com “Não tenho vergonha do tamanho dos meus quadris“.

O seu mito vai aparecer para o protagonista de seu conto durante um evento que se relaciona com esse rito de passagem.

Qual o gênero do seu conto? Comédia, dramédia, drama, fantasia, ficção criminal, ficção científica?

Procure descrever tanto as aparições do ser mitológico quanto o visual e o pensamento de seu protagonista. Seria interessante se tais descrições começassem de um jeito e terminassem de outro, para enfatizar a mudança que seu personagem demonstra ao atravessar este rito de passagem.

Procure deixar claro que tal relato fantástico se passa em 2025, em um contexto urbano.

O que acontece quando o ser mitológico entra em cena? Como é seu aspecto, a sua entrada, a sua performance? Assombração, revelação, oráculo, brincadeira, diálogo, violência, destruição?

Em que lugar aparece? Quarto, banheiro, cozinha, quintal, encruzilhada, campinho, praia, boate, parque, hospital., escola, supermercado, templo, motel, shopping center?

Qual é o estado de espírito do seu protagonista depois de encontrar o ser mitológico?

Escreva usando a primeira pessoa, a primeira pessoa em formato de depoimento a um interlocutor invisível (como o conto da Ojeda) ou o discurso indireto livre, em até uns 11 mil toques.

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