Destruição criativa

Marília Garcia, poeta, ensaísta e tradutora carioca, acaba de lançar uma antologia de seus artigos e ensaios chamado Pensar com as Mãos (WMF Martins Fontes, coleção Errar Melhor – uma série especializada em ensaios sobre a escrita; pesquise os outros títulos). Para quem conhece a poesia de Garcia, é como lê-la em um espelho, pelo avesso. Sua poesia é fundamentalmente ensaística, registra digressivamente o processo da própria criação em longos poemas de versos compridos e quase sempre livres; uma poesia sem pressa, de quem pensa longamente, pesa, estuda compara, testa um objeto e suas várias camadas imaginárias e interpretativas, buscando imagens e rimas visuais e conceituais quase como se ela estivesse flanando, se deixando surpreender, e chegando a desfechos inusitados.

Assim como Garcia extrai elementos do ensaio para a poesia, também puxa elementos da poesia para o ensaio. No caso abaixo, ela elege um tema – a destruição do próprio trabalho – e o compõe como um coral de vozes. Alia o trabalho de reportagem – perguntar a poetas e artistas contemporâneos “você já perdeu ou jogou fora algum trabalho?” – ao da edição de cada depoimento, em que uma voz acaba por dar um significado diferente para outra, à medida em que se justapõem. O resultado é uma meditação lírica sobre como a destruição influi sobre a criação.

PROPOSTA

Vamos brincar de novo com o formato de série.

A ideia é elencar, em microcontos, histórias de personagens que jogaram fora alguma coisa. Ou que destruíram algo, ou que perderam algo sem querer querendo, ou esqueceram, ou abandonaram, ou deram ghost….

Podem ser artistas se desfazendo de seu trabalho. Mas também podem ser donas de casa, empresários, jogadores de futebol, modelos fotográficas, biólogos, lavradores, pistoleiros, arquivistas, médicos, frentistas, estudantes, bancários, influencers, marinheiros, acompanhantes, comediantes, cozinheiras… só não vale lixeiros (ou vale?).

Ou seja, todo tipo de gente que em determinado momento da vida resolveu se livrar de algo ou se livrou de algo que tenha algum componente simbólico.

Alguns relatos podem dar ênfase à coisa destruída; outros podem focar o próprio ato da destruição.

Alguns podem ter justificativa, outros podem trazer alegria; alguns podem figurar um instante de luto, outros ganham leveza.

Você pode se lembrar de histórias que lhe aconteceram, histórias que ouviu, histórias que imaginou.

Importante dar algum detalhe breve sobre o personagem, fazer uma descrição rápida que o materialize; dar detalhes sobre a relação do personagem com o objeto desapegado; e dar detalhes sobre o próprio objeto, claro.

Você pode escolher entre narrar todos os relatos no passado, no presente ou no futuro.

Mas todos têm de ser narrados na terceira pessoa.

Cada microconto precisa ter no mínimo 5 linhas.

Tudo junto não pode passar de 12 mil caracteres.

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