Jogando parado

Armand Patrick Gbaka-Brédé, mais conhecido por Gauz, é um escritor franco-marfinense nascido em Abidjan em 1971, cuja obra se destaca por uma perspectiva social e política incisiva sobre a imigração, o exílio e o regresso às raízes. Com uma formação inicial em bioquímica, Gauz chegou a Paris com um visto de turismo nos anos 90 e, como muitos imigrantes, acabou por se tornar um “sans-papiers” (indocumentado), encontrando trabalho como segurança. Esta experiência de vida, juntamente com a sua multifacetada carreira como fotógrafo, documentarista e diretor de um jornal económico satírico na Costa do Marfim, moldou profundamente a sua voz literária, que críticos descrevem como delicada, inteligente e melódica, capaz de tecer narrativas intergeracionais e de aprendizagem.

Seu romance de estreia, De Pé Tá Pago na tradução de Diogo Cardoso (Editora Ercolano), lançado em 2014 e no Brasil em 2025, é uma obra que ressoa com a sua própria vivência. O título refere-se a todas as profissões que exigem que se esteja de pé para ganhar a vida, uma descrição precisa do trabalho de segurança. O livro mergulha na vida de Ossiri, um estudante marfinense indocumentado que se torna segurança em Paris, e através dos seus olhos, Gauz explora a imigração africana na França, a sua história política e colonial, e o consumismo desenfreado da sociedade ocidental. Foi amplamente elogiado pela sua abordagem poderosa, inteligente e satírica. Muitos críticos destacam a capacidade de Gauz de ser um “super crítico da sociedade de consumo”, oferecendo uma visão verdadeira da vida de um imigrante na sociedade francesa.

A estrutura do romance, que alterna entre as memórias de Ossiri e as suas observações diárias como segurança, é um documento incisivo, fragmentário e irregular, mas significativo que narra a humanidade dos trabalhadores indocumentados.

Alguns críticos apontam que a leitura pode ser árdua devido à sua estrutura particular, com observações com conotações racistas. O estilo telegráfico e a mistura de presente e memórias criam uma desordem na leitura, exigindo que o leitor não tome o humor negro e o sarcasmo do personagem ao pé da letra. O livro foi elogiado pela sua abordagem com humor sobre a migração, rindo de temas difíceis. Há uma grande crítica à colonização e às suas sequelas, bem como uma análise das crises sociais e das suas consequências para os indocumentados na França.

É uma obra que desafia as convenções, utilizando o humor e a sátira para abordar questões sociais e políticas complexas. O livro recebeu o Prix des Libraires Gibert Joseph e foi indicado como melhor romance de estreia francês em 2014.

PROPOSTA

Bem, é isso o que você vai fazer: detalhar a rotina de uma pessoa que trabalha em um espaço muito limitado, sem poder sair do lugar. Você pode escolher:

Segurança/Vigilante/ Porteiro/ Vigilante de Banco

Operador de Telemarketing/Call Center

Recepcionista de escritórios, clínicas ou hotéis

Atendente de Caixa (supermercado, banco, loja)

Atendente de Bilheteria em eventos, cinemas, teatros

Controlador de Estacionamento/Guarita

Artesão/Joalheiro/Relojoeiro/

Costureira/Alfaiate

Chaveiro/ Sapateiro

Balconista de Loja/Vendas

Barista/Atendente de Cafeteria (no balcão)

Atendente de Sacolão/Feira (no balcão)

Caixa de Pedágio

Atendente de Laboratório de Análises Clínicas (na recepção/coleta)

Vendedor de Quiosque

Barbeiro/Cabeleireiro

Tatuador(a) (em estúdio)

Manicure/Pedicure/Depiladora

Você tem duas opções de escrita:

Usar a estrutura de série. Contar várias cenas na vida de um dos profissionais acima. Podem ser cenas aleatórias, dispersas fragmentariamente ao longo de uma semana, um mês, um ano, uma vida. Cenas bem curtas, de no mínimo 5 linhas, em que você vai compondo não só a vida do personagem como também o cenário em que ele habita e os outros personagens com que se relaciona.

Contar uma história inteira. Aqui o seu texto vai ter o seguinte conflito: o seu personagem busca terminar um trabalho, mas está sempre sendo atrapalhado ou interrompido ou incomodado pela demanda seguinte. Começa uma coisa, quer terminar, mas já tem outra, e quando começa essa outra, já aparece mais uma, e assim por diante…

Descreva os pensamentos de seu personagem, os personagens com que ele se relaciona, os objetos do lugar em que trabalha.

Escreva tudo sempre na primeira pessoa, em até uns 12 mil caracteres.

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