Trocando em miúdos

Michel Alcoforado é um antropólogo carioca muito popular nas redes, e que certamente vai ficar ainda mais popular – e talvez fique rico – com o recém-lançado Coisa de Rico (Todavia). Nele, amparado em uma pesquisa que levou 15 anos, descreve os bizarros comportamentos do rico brasileiro, em especial marcado por uma afirmação que já pude testemunhar algumas vezes nessa vida (duas, vindas de bilionários): o rico brasileiro não acha que é rico. Em sua cabeça, rico é aquele que gasta dinheiro com o supérfluo – no entanto, em sua cabeça, o supérfluo é uma coisa normal. É um desvio cognitivo que lhe permite seguir sonegando impostos, estimulando a desigualdade social, louvando a meritocracia (mesmo no caso de herdeiros de gerações) e acumulando bens sem jamais partilhar com ninguém e, em especial no caso brasileiro, jamais doar para a caridade (menos de 1% do nosso 1% faz isso). Os capítulos abaixo seguem as agruras de um casal de um herdeiro quatrocentão e uma ricaça emergente que um belo dia resolvem se separar e recorrem a um dos advogados mais ricos do país – Alcoforado atua como uma espécie de consultor do luxo. Divirtam-se.

PROPOSTA

Bem, a ideia não é necessariamente abordar a elite em seu conto, mas, se quiser, pode.

O prompt que me deu gatilho nessa história foi o episódio da partilha dos peitos de silicone.

Ou seja, vamos abordar nessa história o tema da separação de bens.

Como dividir as coisas depois que se encerra uma relação?

Comece sua história in media res, isto é, já no meio da discussão sobre quem vai ficar com o quê. É através da discussão que vamos conhecer cada um dos elementos do casal, o que faz, como é, como se comporta, se está sofrendo ou se está em pleno processo de livramento.

Ou seja, você vai descrever uma CENA. Ambiente seus personagens, descreva-os, descreva o ambiente. Use DIÁLOGOS.

Tem filhos, pets, plantas? Quanto tempo a dupla ficou junta? O motivo da separação vai ou não entrar no conflito da partilha? Ou não tem conflito e eles são pessoas super civilizadas que estão dividindo tudo numa boa?

Comece no meio e termine no meio, isto é, não é preciso ter um desfecho peremptório, pode deixar o leitor em suspense.

Mas se quiser passar a régua e cravar um punhal no peito como Chico Buarque escudado pela terrível flautinha do Celso Woltzenlogel composta por Francis Hime, fique à vontade.

Escreva em qualquer pessoa, em uns 12 mil toques.

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