Sorte ou azar?

Por falar em começos impactantes, e este: “Quando uma criança passa a testa muito perto de uma quina de mesa, eu sinto um gelo forte no cu”? É a primeira frase de Brincadeiras à Parte (Planeta), da Letrux, cantora, compositora, poeta e também substacker (ótima newsletter).

Existe literatura que dá seta e literatura que não. O texto da Letrux é o segundo bicho: movida pelo medo do tédio, sua escrita é livre-associativa e imprevisível. Associa esquilos que escondem nozes ao próprio comportamento errático de espalhar tesouros dentro de livros; finge-se de dondoca herdeira em busca de mansões só pra espiar quintais alheios; rouba no buraco, no xadrez e na paciência; pega emprestadas as crianças dos outros para dar vazão à ambição de ser mais Elke Maravilha que Pedro de Lara.

Trata-se de uma coletânea de contos – mas você pode tranquilamente abrir em qualquer página que de lá sai um saco de risadas. Jogue a fluoxetina no lixo e bora (minha resenha pra Invenções de Morel).

PROPOSTA

Bem, é isso o que você vai fazer: jogar. Vamos jogar.

Que jogo?

Buraco, truco, pôquer, canastra, 21, Uno?

Ou então sinuca, fliperama, pebolim, pinguepongue, bafo?

Ou que tal vôlei, pólo aquático, futebol, altinha?

Ou algo mais estranho, tipo a brincadeira do copo?

A ideia é colocar um jogo no centro da história.

Não importa tanto quem vai ganhar nem vai perder, e sim descrever a dinâmica entre os jogadores.

Sim, seria bacana se fossem mais de dois jogadores.

Conte as ações do jogo enquanto vai descrevendo os personagens, a maneira como jogam, a maneira como se portam, como se vestem, como se falam, o que fazem durante.

Conte na primeira ou na terceira pessoas, em uns 13 mil caracteres.

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