
Can Xue, pseudônimo de Deng Xiaohua, é reconhecida como uma das vozes mais experimentais da literatura chinesa contemporânea, frequentemente associada ao movimento avant-garde dos anos 1980 e 1990. Suas obras são muitas vezes descritas como “literatura da alma” ou “literatura da vida“, refletindo uma exploração profunda da experiência individual e dos limites do gênero narrativo. Sua escrita é celebrada pela apuro formal e pelo lirismo enigmático, criando uma atmosfera de realismo mágico permeada por surrealismo e simbolismo.
Em Histórias de Amor no Novo Milênio (Fósforo, trad. Verena Veludo Papacidero), Can Xue apresenta uma narrativa fragmentada e episódica que gira em torno de um bordel na China ocidental. Cada capítulo desenvolve uma rede complexa de relações entre mulheres multifacetadas, enigmáticas e resilientes.
A ausência de uma trama linear tradicional, conforme observado pela crítica, subverte as convenções narrativas ao privilegiar a experiência abstrata e o simbolismo poético, evocando comparações estilísticas a Gertrude Stein. Os personagens estão o tempo todo rindo de sua própria inconstância e mutabilidade, inseridos num universo sem tempo fixo, em que a existência é simultaneamente poética e engraçada.
O romance evoca uma realidade ambígua e transitória onde as histórias pessoais se entrelaçam a uma sensibilidade oriental, profundamente enraizada na filosofia chinesa. A prosa se destaca pelo tom seco, porém carregado de tensão simbólica, frágil e incisiva. A trama gira em torno da luta contra forças opressivas, simbolizadas por burocratas mascarados e memórias violentamente apagadas, culminando numa reflexão sobre o passado e sua inevitável repetição.
Este trabalho não busca se apresentar como uma narrativa tradicional, mas sim como uma constelação de cenas e diálogos que desafiam o leitor a construir sentido no não-linear. A estrutura do livro é uma forma para a existência poética, que surpreende pela sua refrescante falta de resolução fechada, destacando a essência do amor em seus múltiplos matizes, sempre mutáveis.
É uma experiência literária densa e elusiva, que encapsula a busca por identidade, conexões humanas e resistência dentro de um mundo surreal e desafiador.











PROPOSTA
Uma constelação de cenas e diálogos que desafiam o leitor a construir sentido no não-linear, tendo como ambiente um lugar de encontros.
Este é o norte do seu texto. Vamos trabalhar com a imaginação.
Como é este local de encontros?
Um bar, uma academia de ginástica, um clube, um restaurante, uma escola, um ginásio esportivo, uma fábrica, um karaokê, uma praça, uma garagem, uma estação de trem abandonada, um parque, um terraço, um shopping center, um posto de gasolina, um estádio, uma loja, uma balada, um puteiro, um hospital, um cassino, uma praia, uma cachoeira, um sítio, uma biblioteca?
Escolha o seu local e ambiente lá a sua constelação de narrativas. Claro, descreva muito bem o local que você escolheu.
Preocupe-se em criar cenas fortes e autônomas, entre o mesmo grupo de personagens. Digamos entre três e sete personagens. Todos têm de ter nomes e caracterizações bem delineadas.
Crie situações que não necessariamente tenham a ver umas com as outras. Trabalhe diálogos.
Não se preocupe em levar seu leitor de um ponto A para o ponto B. O mais importante é fazer ele deslizar pelas mais diferentes situações, a qualquer hora do dia e da noite, sempre no mesmo local.
O importante: ninguém nunca deve ficar sozinho. Lembre-se de que é um lugar de encontros.
Você pode narrar de qualquer ponto de vista. Ou então, se for corajoso/a, sob múltiplos pontos de vista. Em uns 13 mil caracteres.
