
Um dos fundadores do manguebit, nos anos 1990, o sergipano Helder Aragão, aka DJ Dolores, é também artista visual, roteirista, letrista e acaba de lançar o primeiro livro, Lugares para Chorar no Recife e Outros. São crônicas, minicontos, resenhas, poemas e letras que ele primeiramente publicou em sua página no Facebook. Até que o escritor Cadão Volpato sacou que ali havia um livro e editou em sua Sejabreve. A série “Lugares para chorar no Recife” é um dos eixos da publicação – e está todo aqui embaixo. Dolores usa a estrutura de manual de instruções nonsense – que é também o leitmotiv de Histórias de Cronópios e Famas, de Julio Cortázar, com suas instruções para subir uma escada, sentir medo, dar corda no relógio, chorar etc. Em ambos, o efeito criativo é dado pelo contraste entre a tristeza do conteúdo e a greia na forma. No texto de Dolores, especificamente, há uma riquíssima e afetiva descrição de cada lugar.

























PROPOSTA
Bem, a ideia é descaradamente copiar a série de Dolores.
Adaptando-a à sua cidade, claro.
Perceba que em cada exemplar, Dolores recria minuciosamente cada lugar, entrelaçando a descrição material ao vocabulário emocional do momento, não deixando de lado, claro, certa galhofa tinta com melancolia.
Mas não necessariamente você precisa chorar em tais lugares.
Podemos trocar o vocábulo “chorar” por outras coisas:
Lugares para comer uma marmita
Lugares para gargalhar
Lugares para transar
Lugares para arranjar uma confusão
Lugares para dar aulas de tricô
Lugares para entrar numas
Lugares para ter uma crise psíquica
Lugares para rezar
Lugares para usar drogas
Lugares para morrer
Etc etc etc
O importante é ser fiel a um único propósito, seja chorar, seja transar.
Use sempre o formato “manual de instruções”, se dirigindo diretamente ao leitor em tom professoral – mas sem se levar a sério demais.
Seus lugares podem ter de um parágrafo a uma página, de 5 a 30 linhas.
Escreva quantos Lugares quiser, em até 9 mil caracteres.
