Animais noturnos

Do outro lado do quarto, Ana bate o polegar no filtro do cigarro e deixa as cinzas caírem no chão, rente aos pés da cadeira de vime que trouxe para o apartamento, além das malas e das câmeras, como seus únicos bens – bens que deixaria para trás ao desaparecer. Martim tateia o seu rosto à distância, tentando dispersar a fumaça instalada nos olhos de Ana ou nos seus. Ela inclina a cabeça na direção dele, mostrando as feições borradas, enquanto na televisão dois carros colidem numa reta e explodem no ar, caindo lentamente de uma ponte até os destroços afundarem no mar. Apesar do rosto turvo, Martim reconhece suas intenções. Quando curva o tronco e prende o cigarro nas pontas dos dedos, deixando a outra mão livre para ajeitar a franja logo acima das sobrancelhas, sustentando alguma seriedade nos olhos achatados, Ana quer brigar ou foder. Não consegue ver seus olhos, mas intui que lança o mesmo olhar de dois anos atrás, quando se conheceram no saguão estreito do Hotel Imperial.

*

Era o primeiro dia de Martim na cidade depois de quase vinte anos. Depois de reencontrar Miguel, um amigo perdido da infância, seguia-o pela sequência de imagens emolduradas nas paredes do hotel, enquanto ele conversava com os expositores encontrados pelo caminho. Alguns não saíam do lado dos seus quadros, com medo dos tremores de terra que podiam atingir a região durante a noite. Com o passar dos anos tinham ficado cada vez mais brandos e espaçados, dias de silêncio e inércia, mas os artistas não queriam arriscar. Naquela noite tomavam o saguão com seus desenhos, pinturas e fotografias coloridas e aberrantes, por onde Miguel e Martim circulavam sem se deter em nenhuma delas. Num cartaz pendurado na porta, Martim tinha lido algo como retratos da cidade sequestrada por um filme de ficção científica e regurgitada em esperança, assinado por Miguel, o curador da mostra. Ultrapassaram a primeira barreira dos conhecidos de Miguel, e Martim ouvia o amigo repetir, em meio à neblina espessa de maconha e haxixe, em tons variados, da surpresa ao medo e à repreensão: Não acredito que você virou policial, não acredito que você virou policial. Martim tentava se localizar, vertia pedaços de pensamentos. E você o que sabe, pensou, são vinte anos. Mas não disse nada. Continuou se metendo entre os grupos de pessoas, sacudindo a gola da camisa para expulsar o calor entranhado. No fim chegaram na frente do bar do hotel, onde um braço de mulher se erguia acima das cabeças, acenando.

Ana bebia vodca com gelo num copo bojudo. A luz baixa destacava a boca fina e os fios azuis das veias, submersas na pele branca, e fazia brilhar os cabelos pretos, penteados de lado com gel. A brancura furiosa do rosto e os olhos viperinos que ele não conseguiria capturar nas fotos feitas com o celular, dias depois, como uma provocação íntima, nos minutos imediatos ao gozo, perseguindo sua nudez pelo apartamento recém-alugado na Seção 7. As fotos ficavam desfocadas, ou escuras, ou estouradas. Dizia a ela que não estava acostumado ao celular com câmera e Ana entendia como uma brincadeira. Mais umas dez ou quinze dessas e monto uma exposição e digo que meu cachorro que tirou, ela diria, deitada na cama do apartamento de Martim, na direção do ar gelado vindo do ar-condicionado, dobrando com as mãos os dedos do pé dele, um por um, numa melodia que tocava apenas na sua cabeça, menos de um ano antes de desaparecer. 

Acotovelados no balcão, Ana e Miguel trocaram beijos com as maçãs do rosto e ele a elogiou pelas fotos, expostas na parede à direita do bar. Cenários inertes, vazios, nas imagens em preto e branco. Não havia pessoas, apenas vestígios, no que pareciam cenas de crimes. Uma mesa de sinuca partida ao meio, o pano manchado de um sangue escuro, os tacos de pé, milimetricamente apoiados na parede no fundo da foto. Uma calçada que se alongava por todo o quadro e no seu centro dois chinelos abandonados, um deles com a borracha estourada, o outro com um buraco de tiro. Estilhaços de uma janela cintilando a luz do sol e cobrindo o banco de um carro. A última imagem diferia das primeiras: escurecida, quase um negativo borrado, a foto mostrava uma câmera feita com uma lata de sardinha enferrujada. Pendendo do que seria seu visor, uma fita de plástico trazia a inscrição: “Não estou aqui”.

Este é meu amigo, Miguel disse apertando o ombro de Martim. Chegou hoje na cidade, veio para trabalhar com você, e forçou uma única gargalhada. Ana levantou as sobrancelhas e piscou os olhos antes de sorrir e estender a mão para o desconhecido. Voltei hoje, Martim disse, Já morei aqui, e pensou, Há muito tempo, há vinte anos não vejo a cidade. Ana bebeu um gole da vodca. Então é estrangeiro, falou. Não, ele respondeu, Sou daqui, estou voltando. Ela riu, sem tirar os olhos dele, Agora é outro país, vai precisar conhecer de novo. A cidade era muito bonita, mas virou um cemitério, falou, e no fim da frase olhou para Miguel, como se já tivesse dito aquilo para ele em outra ocasião. Miguel retribuiu o sorriso e voltou a falar com o grupo que havia se formado ao redor deles, uma redoma de tagarelice e risadas ruidosas. Martim precisou elevar a voz, quase gritar. Você trabalha na polícia, disse, e ela respondeu, sem gritar, algo como É quase isso, ou É mesmo isso. Quando soube da nomeação para o cargo, ele vinha lendo algumas coisas sobre as funções numa delegacia, então supôs que ela trabalhava na perícia, tirando fotos dos crimes. Ele se espremeu no balcão para pedir uma dose de conhaque e começou a beber. Ana parecia entediada, as pernas cruzadas, vendo os abutres pousando em torno. Enquanto bebiam goles rápidos, cada um no seu copo, sem fixar o olhar detidamente em canto nenhum, Martim a flagrara olhando de soslaio na sua direção. Ela não disfarçou, não desviou a vista ou recorreu ao rosto amistoso e inofensivo de Miguel, que continuava a tagarelar. Terminado seu drink, Ana pediu mais uma vodca e levantou da banqueta com o copo e caminhou até a porta do saguão, num andar comedido e preciso, cintilando o vestido justo e prateado na penumbra úmida de suor e fumaça.

Martim se sentou na banqueta livre e apoiou o que restava do conhaque no balcão, antes de pedir outro. Miguel gesticulava na direção de dois quadros postos lado a lado, as cores fluorescentes despejadas de maneira aleatória formando uma figura abstrata. Um trio de entendidos observava sua pequena aula, e Miguel os detonaria mais tarde, vangloriando-se de tê-los engambelado com explicações vagas e elogios pré-fabricados. Ele e Martim ficaram anos sem se encontrar, mas Miguel tinha se tornado o homem que sua adolescência prefigurava. Vestia um blazer cinza apesar do calor e as gotas de suor embaçavam os óculos redondos de armação fina, meio caídos, porque a linha das orelhas era muito acima dos olhos. Era uma evolução natural do garoto cheio de si que não disfarçava sua inteligência para os professores na escola. Já devia saber que mais tarde seria um deles ou os superaria. Tinham se reencontrado e, na ocasião, pela primeira vez Martim pensou em voltar para a cidade. Durante vinte anos evitou pensar no que aconteceu, na vida que apagou para inventar outra. Nessa fuga, finalmente, a cidade tinha vindo até ele. 

*

Martim reencontrou Miguel num bar de estrada no interior do estado, meses antes de retornar à cidade. Pleiteava algo para comer e talvez um trago para dormir, que lhe deram uma e outra vez durante a manhã. Os bêbados batiam ponto em duas mesas de carteado e não admitiam ser interrompidos por ninguém. Agora estava recostado na fachada lateral, próximo aos banheiros, aproveitando a sombra da marquise para esticar os pés o máximo que podia, sentindo a brisa que descia do vale e pegava velocidade bem na curva da estrada, desaguando nas solas queimadas por dias a fio no asfalto. Miguel havia parado no posto ao lado e ia entrando no bar, quando viu o homem alto e estreito, o rosto ossudo e meio sujo de fuligem, o nariz e a boca dentro do copo apoiado no joelho, tocando o fundo com a ponta da língua. Foi atrasando o passo até retroceder e, quando virou para andar na direção do homem, este levantou a cabeça e segurou na base do copo com força. Ele parou e dali, ainda na frente da porta, perguntou se podia lhe pagar um prato feito e uma dose de cachaça. Martim já o tinha reconhecido e aceitou, entendendo que a oferta de Miguel continha condições. Supunha que o fosse reconhecer e foi isso que aconteceu ao se sentarem ao balcão. Lembrou de Martim e do Rato, do passo ansioso da cuidadora do Rato e de suas saias compridas arrastando no calçamento de pedras-portuguesas na entrada da escola em que estudavam. Perguntou se o tinha reconhecido lá fora do bar e Martim disse que sim, só estava esperando que fizesse o mesmo, e que bom que o fez, ou teria que deixá-lo amarrado num poste depois de roubar seu carro e suas roupas. Miguel gargalhou e os bêbados da mesa de carteado pararam de jogar e olharam para eles. Martim devolveu um olhar envelhecido, como se ali dentro do bar os anos avançassem para ele, e os homens voltaram a puxar as cartas do monte e a descartá-las em rompantes no tampo da mesa. Almoçaram enquanto Miguel lhe contava sua vida e Martim inventava a dele. Disse que vivera com parentes do Rato numa vila do interior depois do que tinha acontecido, tentando esquecer aquele início de tarde de vinte anos atrás. Depois passara a pegar carona na estrada, vivendo de bicos e esmolas. Como esta, disse, e pegou uma batata-frita do prato de Miguel e a ergueu na sua frente antes de comê-la. Não fala isso, censurou Miguel, condescendente, e disse, com a pretensão que lhe subiu o corpo corando o rosto e desenhando seus trejeitos previsíveis: Às vezes um trauma molda as nossas vidas. Perguntou se Martim nunca mais tinha voltado e disse que havia uma espécie de concurso aberto para a polícia da cidade. Espécie, justificou, Espécie porque ninguém quer a vaga, é só se inscrever. Os carros de som passam pelas ruas anunciando o cargo para uma cidade vazia e nem um fantasma se interessa. Deve ser boa, Martim disse, tomando o resto da água quente no copo. Um salário e um teto, disse Miguel, e colocou duas notas de dez em cima da comanda. Agora os policiais da cidade só assinam papeis, o trabalho sujo fica com os guardas do território. Me procura se decidir, disse se despedindo, e lhe entregou um maço de cigarros e um pouco de dinheiro. Martim prometeu que faria contato, ainda sem acreditar que voltaria para a cidade, e emendou mais uns dias na estrada, até conseguir um quarto de pensão barato e com acesso à internet na recepção. Fez uma cópia da identidade com o celular da recepcionista e ficou de apresentar o restante dos documentos caso fosse selecionado. Como seria, pensou, ter uma arma sem precisar usá-la. Um mês depois, sua nomeação para a Delegacia de Homicídios saiu.

Voltou para a cidade na madrugada anterior à exposição no Hotel Imperial, esperando que Miguel respondesse a mensagem enviada numa rede social que ele criara apenas para isso, um dia antes. Nas ruas vazias da Seção 7, ouvia só os ruídos dos aparelhos de ar-condicionado das casas e dos prédios baixos, embalando sua caminhada da rodoviária até a quitinete alugada pela internet. Os sons de toda a região metropolitana mudariam depois da anexação, assim como o silêncio, adquirindo um ranço gutural, como um grito preso no esôfago. De forma aparente, porém, pouco havia se alterado. Era como se o depositassem dentro de uma cópia, uma maquete antiga da cidade da sua infância, movida para outro país ou desocupada para uma faxina. Na janela do apartamento, viu o aterro se estender das margens do asfalto, desde o antigo cais, onde alguns contêineres enferrujavam abandonados no fosso junto à avenida, cortando a cidade por cima do mar sufocado. Imergiu no deserto da paisagem e na ausência do som, como fazia na casa do Rato, escorado no parapeito da janela vendo as máquinas e os homens embotados pelo sol, ou apenas esperando, perdido no céu preto e monótono, até despertar com o tremor.

*

Na noite em que conheceu Ana, não houve tremor na Seção 7. Martim terminou o conhaque no balcão e atravessou o saguão do hotel tirando o cigarro do maço e o pôs na boca no instante em que saiu à rua. Ana fumava na calçada, escorada com a sola do pé na haste da placa de proibido estacionar. Martim se aproximou e acendeu o seu. Ela se virou para ele e endureceu os olhos, tentando atravessá-lo, descobrir seu tom de voz real, a verdadeira expressão do seu rosto, sem mostrar a sua. O braço que segurava o cigarro estava erguido na altura do rosto, apoiado pelo cotovelo na outra mão, trancando o ventre. Ele pensou em perguntá-la se dali, do mirante atrás da Catedral, ainda era possível ver um pedaço do mar além do aterro. Mas ela deu um passo na sua direção, sem descerrar os braços, e se inclinou para beijá-lo. Um movimento límpido, breve, de alguém que se inteira da noite e dos seus animais noturnos. Martim largou o cigarro e segurou seus ombros, sentindo que ela os deixava cair devagar à medida que expirava a fumaça pelas narinas. Por um instante o encarou, tragou uma última vez, expelindo todo o ar de que dispunha, e se virou para a porta lateral do hotel, deixando a mão estendida para puxar Martim e, com o corpo vazio, flutuar pelos degraus da escada escura.

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A cabeça de uma mulher flutuava sobre uma tábua de madeira em mar aberto, como um destroço de uma embarcação naufragada. Adornando os cabelos curtos e muito pretos, uma coroa de rosas se acomodava fincando os espinhos na testa, de onde filetes de sangue escuro desciam. Em cada maçã do rosto, costuradas com uma linha rosa, destacavam-se as palavras “NÃO” e “MAIS”. Apesar da violência da imagem, as pálpebras pálidas e fechadas davam ao semblante certa serenidade, como se a dona da cabeça tivesse morrido sem sofrimento. No fundo da foto, o mar se estendia numa massa azul-escura, colada no céu noturno. Era preciso aproximar os olhos e fixá-los na imagem para concluir que a cabeça era de um manequim. 

A foto, a melhor foto, disse Ana, tinha ficado fora da exposição no saguão do hotel. Ali, no quarto 9 do Imperial, Martim era um dos poucos a quem ela mostrava a imagem, parte de uma série que ainda editava para exibir, quem sabe, a algum curador que a fizesse deixar a cidade. Mostrara também para Miguel, só para ter a satisfação de recusar a inclusão entre as selecionadas, porque sabia que era uma boa imagem e que Miguel se ressentiria de não ser o curador a apresentá-la. Ela achava engraçada a cara que o amigo fazia quando era contrariado, um esgar na sobrancelha, entre o espanto e a inveja. Para onde, Martim perguntou, se não naquela noite, numa outra como aquela. Para alguma cidade que exista, ela respondeu. Tinha feito a imagem na semana passada, dispondo cabeças de manequins na faixa de mar que renascia no final do aterro, depois da fronteira. Aterraram mais depois que saí, Martim disse e devolveu a foto para Ana, que fumava sentada numa cadeira ao lado da porta. Pela janela aberta chegavam pedaços de conversas e ruídos de garrafas e copos. Vão construir outra cidade no aterro, ela disse. Uma cópia. Vazia, só um bando de milionários. Com o mar só para eles. Bebia do copo que trouxera do saguão; a garrafa de vodca, apoiada na penteadeira, tinha pegado no frigobar. Brincava com o isqueiro quando Martim caminhou até ela, sorria com a foto erguida entre os dedos e a chama bruxuleando abaixo da imagem, ameaçando queimá-la. Não lembra, não irá se lembrar, se continuaram a conversar, mas sabe que houve gestos precisos, suficientes, como se a cena estivesse ensaiada há muito tempo. Lembra de sentir o corpo quebradiço de Ana enquanto ela dava um último gole no copo antes de apoiá-lo na mesa, as duas mãos apoiadas no seu peito, retrocedendo e caindo esticadas no ar. Lembra da nudez branca de Ana no quarto escuro e abafado, do cheiro úmido e ferroso dos dedos saídos do sexo ao acender o baseado na luz azulada do fim da madrugada; dos ombros estreitos, prenunciando o ângulo fechado da cintura, suavemente alargado nos quadris, a saliva descendo pelo meio das costas e dos seios, pequenos, do tamanho das mãos dele.

Pela manhã, os ruídos do hotel nos andares de baixo se misturavam às vozes que inauguravam a feira, ao ranger das vigas de aço sendo acopladas para se erguerem as barracas, ao jato d’água varrendo o lixo acumulado nas canaletas. Ana e Martim trocaram os números dos celulares e ela disse que compunha bem o personagem o fato de ele não ter foto no perfil da rede social. Foi embora e deixou Martim com algumas horas para terminar a diária. Ele se levantou da cama, bebeu da garrafa de água e voltou a se deitar. Botou um cigarro na boca. O Imperial era tanto sua casa quanto o apartamento alugado, aquela era sua cidade e não era. O vento morno tocava de leve a barra das cortinas, sussurrando entre as cinzas derramadas no chão que aquilo chamado tempo importava, que salvar-se talvez fosse uma questão de deixá-lo passar. Fundiria-se ao tecido da cidade, desaparecendo dentro de um nome e de uma ocupação. Pensou no manequim à deriva, na placa azul-escura do mar se estendendo além da avenida até escapar do campo de visão.

Tomou banho e desceu até o saguão, depositou a chave na urna e saiu no sentido contrário à feira, subindo a ladeira em direção à praça da Catedral. O prédio da igreja erguia-se pontiagudo, espetando o céu com suas três torres encardidas. Os flanelinhas circulavam entre os carros deixados na noite, esperando seus motoristas trôpegos. Ele andou até o mirante, nos fundos da Catedral, pisando um mato que crescia ao redor, e sentou na mureta diante do precipício. Lá embaixo, a cidade sonâmbula vagava em silêncio, ainda inconsciente, e o mar permanecia dentro de um sonho ruim, sufocado pelo aterro. Apertou os olhos tentando vencer a imensidão da areia, mas nem daquele lado da cidade era possível enxergar o mar. Acima dele, o céu se abria lentamente num azul desbotado, anunciando o dia quente. Três quadras à esquerda, entre uma praça e um galpão vazio que um dia abrigou um mercado municipal, estava o prédio do Rato, seus movimentos calculados numa quase morte imóvel e incessante. As janelas do apartamento pareciam fechadas, mas isso não significava nada. Talvez se ficasse ali mais um pouco ele se deparasse com os cotovelos ossudos do Rato apontando no parapeito, as lentes dos binóculos refletindo a luz como fagulhas controladas do sol. Se já não estivesse morto, os olhos ocos, como o manequim de Ana.

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