
Muito por conta da espertíssima tradução de Isadora Sinay, A Rejeição, de Tony Tulathimutte (Fósforo), é uma leituras muito divertida. Sinay transpôs ao PT BR as neuras e os pitis da Gen Z e millenial com um ouvido tão afiado que parece que estamos passeando pelos reels irônicos do Juvi Chagas ou pelos chororôs de Pedro Vinício. Todos os contos deste bostoniano filho de tailandeses são protagonizados por figuras que basicamente não conseguem transar: homens brancos feministos, gamers asiáticos gays, empreendedores babacas, gordinhas solitárias e pessoas agênere. Os desqueridos passam de um conto para outro na categoria de coadjuvantes, dando ao livro um jeitão de romance – e a linguagem ao mesmo tempo empática e sarcástica, que lembra Mary Gaitskill, torna tudo embaraçosamente uniforme.

































PROPOSTA
Bom, é isso o que você vai fazer. Vai escrever histórias de personagens rejeitados.
Mas atenção, não é para escrever um conto.
E sim uma série de microcontos.
A série pode ser com um único personagem.
Ou pode ser com vários personagens diferentes.
Mas seu personagem tem de ser sempre rejeitado.
Por quê?
Alguma diferença racial, social, física, etária, psíquica?
Em que contextos ele é rejeitado?
Por outros interesses amorosos, por amigos, por pessoas da escola, do seu trabalho, ou sequer consegue um trabalho?
Pense em pequenas situações em que seu personagem:
- esteja à beira de ser rejeitado;
2. esteja sendo rejeitado naquele momento;
3. acabou de ser rejeitado.
Como é um estudo de personagem, capriche nas descrições físicas, psicológicas e sociais do seu protagonista.
Maaaaas…
Se você preferir, pode criar personagens que rejeitam!
Sim, exatamente o contrário.
A garota linda que não quer nada, o chefe racista, o colega valentão e por aí vai.
Ou seja, você pode se colocar OU em um pólo da rejeição OU no outro.
Ou então – é mais difícil, mas você pode – , se quiser, pode se colocar em AMBOS os pólos.
Escrever do ponto de vista do rejeitado e do rejeitador.
Por falar em ponto de vista:
Você vai praticar o discurso indireto livre. Sim, isso mesmo, o mais difícil dos focos narrativos.
Cada microconto não pode passar de 2500 caracteres – e todos os seus microcontos juntos não podem passar de 10 mil caracteres.
