
Roger Robinson, 59, é um poeta, escritor e performer britânico-trinidadiano, nascido em Hackney, em Londres, filho de pais imigrantes de Trinidad, e uma das vozes centrais da poesia negra britânica contemporânea. Vive entre a Inglaterra e Trinidad, articulando em sua obra a experiência diaspórica caribenha, o cotidiano pós-Windrush e as tensões raciais e sociais do Reino Unido. Sua consagração internacional veio com o livro A Portable Paradise (Peepal Tree Press, 2019), vencedor do T. S. Eliot Prize de 2019, o mais prestigiado prêmio de poesia do Reino Unido, feito que o tornou apenas o segundo poeta de origem caribenha a receber essa distinção, depois de Derek Walcott. É autor ainda de Suckle (flipped eye, 2009) e The Butterfly Hotel (Peepal Tree Press, 2013), e participou das antologias The Penguin Book of New Black Writing in Britain e Out of Bounds: British Black and Asian Poets.
Sua escrita, associada à tradição do dub poetry, combina oralidade, ritmo e um olhar narrativo agudo, seja para eventos traumáticos — como o incêndio da Grenfell Tower, tema de poemas como “The Missing” —, seja para cenas íntimas de afeto, cuidado e sobrevivência em comunidades racializadas. Professor de escrita criativa, é muito ativo em festivais e turnês internacionais. Sua obra, que circula entre performance, música e poesia escrita, engajada em questões de raça, memória e justiça social, faz de Robinson uma figura-chave para compreender a poesia inglesa contemporânea.
Tem uma ótima seleta de versos do Robinson feita pelo poeta e editor André Capilé aqui na revista Escamandro, incluindo o forte “The Missing”. Traduzi o poema a seguir:
Paraíso Portátil
Se falo em paraíso, falo da minha avó
que me disse: carrega sempre no bolso,
escondido, só você é que vai saber.
Assim, ninguém rouba, ela dizia.
E se a vida apertar,
passa o dedo nas bordas dele,
cheira o pinho no lenço,
cantarola baixinho o hino.
Se o seu aperto for todo dia,
entra num quarto vazio
— hotel, pensão, casebre —
acende uma lâmpada e
despeja o paraíso na mesa:
areia branca, morro verde, peixe fresco.
Ilumina com a lâmpada
igual esperança de manhã cedo,
fica olhando até dormir.
PROMPTS
Robinson vem postando em sua página no Insta prompts muito criativos para escrever poemas.
Transformei os prompts de poemas em prompts de contos. Ou de uma série de microcontos. Se quiser, pode usar todas as propostas, em formato diminuto. Escreva em qualquer pessoa. Tudo junto não pode passar de 9 mil caracateres.
Sirvam-se:
- Escreva um conto sobre perder um avião ou trem importante. Aborde esse tema a partir de uma perspectiva calma e reflexiva, em que o momento já passou e não há mais nada a fazer. Explore o que isso revela sobre como você se via na ocasião da perda. Deixe que o conto sustente a tensão entre a decepção pessoal e a sensação de que o mundo ao seu redor continua exatamente o mesmo.
- Escreva um conto com dez parágrafos descrevendo coisas que estão lascadas ou quebradas em sua casa ou em sua vida. Em seguida, reescreva o conto em quatro parágrafos. Depois, condense-o em um dois parágrafos e, por fim, reduza-o a uma única linha. Dê ao conto o título Fragmentos da Minha Vida e apresente cada versão com os parágrafos numerados, na ordem que você achar melhor.
- Escreva um conto descrevendo alguém apenas por meio de suas mãos e do que essa pessoa faz com as mãos. Foque nas ações, criações ou gestos dessas mãos para definir o caráter da pessoa. Explore a vida que as mãos revelam.
- Escreva um conto sobre a primeira vez que você conheceu alguém que mudou a forma como você entendia o mundo. Comece o conto descrevendo quem você era naquele momento e como era a sua vida então. Liste as coisas que você ainda não tinha feito. As coisas que você ainda não tinha compreendido. Deixe o conto percorrer a memória, pequenos detalhes, lugares, músicas, conversas.
- Escreva um conto sobre identidade fragmentada. Explore como diferentes versões de si mesmo podem coexistir, sobrepor-se ou entrar em conflito. Use imagens visuais de duplicação, distorção ou reflexo para construir a sensação de multiplicidade. Deixe que o conto revele, aos poucos, o que permanece inteiro em meio às rupturas.
- Escreva um conto sobre um nome que foi perdido. Deixe o conto transitar entre paisagem e história familiar. Inclua uma pergunta que ninguém responde, um lugar que se lembra mais do que as pessoas, e um momento em que o passado quase fala. Inclua também uma passagem em que algo esquecido começa a retornar.
- Escreva um conto sobre as consequências de uma traição. Use frases fragmentadas ou imagens desconexas para transmitir a ruptura emocional. Explore tanto a raiva quanto a perda.
