Segredinho

Marcelo Moutinho, 53, é carioca de Madureira, da turma de Luiz Alberto Simas, Alberto Mussa e Álvaro Marechal. Seu estilo retrata o cotidiano carioca, em especial a arraia-miúda. Jornalista, estreou na literatura com Memória dos barcos (7Letras) e Prosas Cariocas (Casa da Palavra, com Flávio Izhaki).Destacam-se os livros de contos Ferrugem (Prêmio Clarice Lispector da FBN) e Na dobra do dia (Rocco). Em crônicas, venceu o Jabuti 2022 com A lua na caixa d’água (Malê). Outras obras incluem Rua de dentro (Record), A palavra ausente (Malê/Rocco) e o recém-lançado Gentinha, de onde tirei o conto abaixo.

PROPOSTA

Bem, é isso o que você vai fazer. Vai contar uma história cujo protagonista tem um segredo.

Não só isso. Você vai contar o segredo para o leitor.

Mas os outros personagens do seu conto não saberão nada do segredo.

O seu desafio é criar essa cumplicidade com o leitor.

Se quiser, pode usar o suspense: será que os outros personagens vão descobrir o segredinho?

Antes de contar o segredo, mostre o cotidiano do seu personagem.

O segredo tem que necessariamente contrastar com o tipo de vida que seu personagem leva.

Mas você vai contar o segredo só depois que tiver descrito com tranquilidade o cotidiano do seu personagem.

Contado o segredo (para o leitor), você continua sua história, mostrando o cotidiano do personagem.

E aí em determinado momento o segredo de seu personagem fica a perigo.

E você tem que tomar uma decisão:

a) seu personagem consegue segurar o segredo sem que ninguém desconfie;

b) seu personagem tem seu segredo descoberto.

Termine seu conto exatamente aí, antes que as consequências do segredo descoberto comecem.

Escreva na terceira pessoa, em uns 11 mil caracteres.

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